domingo, 17 de junho de 2012

A arte de amar e querer...




V Cem sonetos de amor

Querer

No te quiero sino porque te quiero
y de quererte a no quererte llego
y de esperarte cuando no te espero
pasa mi corazón del frío al fuego.
Te quiero sólo porque a ti te quiero,
te odio sin fin, y odiándote te ruego,
y la medida de mi amor viajero
es no verte y amarte como un ciego.

Tal vez consumirá la luz de enero,
su rayo cruel, mi corazón entero,
robándome la llave del sosiego.

En esta historia sólo yo me muero
y moriré de amor porque te quiero,
porque te quiero, amor, a sangre y fuego.

Em português:


Não te quero senão porque te quero
E de querer-te a não querer-te chego
E de esperar-te quando não te espero
Passa meu coração do frio ao fogo.
Te quero só porque a ti te quero,
Te odeio sem fim, e odiando-te rogo,
E a medida de meu amor viageiro
É não ver-te e amar-te como um cego.
Talvez consumirá a luz de janeiro
Seu raio cruel, meu coração inteiro,
Roubando-me a chave do sossego.
Nesta história só eu morro
E morrerei de amor porque te quero,
Porque te quero, amor, a sangue e a fogo.

Pablo Neruda

Ilustração: o famoso quadro de Gustav Klimt – Adam & Eve

2 comentários:

:.tossan® disse...

Gosto por que gosto de Aníssima, mesmo que não vá ao meu pier, mas foi
espiar o meu velho jardim a me cantar Pablo Neruda. O que posso querer mai?! Beijo moça

Weslley M. Almeida disse...

Eis Neruda com seus versos que flameja "fogo que arde sem se ver".

É interessante como a língua espanhola tem uma sinuosidade linguística que envolve o leitor nos contornos, nos relevos erótico-amorosos.

A escolha da imagem coube num encaixe só com o poema.

Abraço, Ana Paula.